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APUCARANA

Lugares de memória: a cidade; entenda

Nas próximas semanas discutiremos nesta coluna digital, sobre a memória de Apucarana, cidade acolhedora que em breve completará seus 80 anos

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Lugares de memória: a cidade; entenda
Autor Foto: Reprodução

Nas próximas semanas discutiremos nesta coluna digital, sobre a memória de Apucarana, cidade acolhedora que em breve completará seus 80 anos. Mas antes de tudo: o que é memória? De acordo com o dicionário Aurélio, “a memória é a capacidade de adquirir, armazenar e recuperar informações”, tanto individualmente (a lembrança propriamente dita) como de forma material, em fotos, lugares, texto e outra infinidade de itens. Mas dizer tudo isso ainda é pouco, pois falta o humano e sua sensibilidade.

Nasci em Londrina, mas hoje sou apucaranense. Nestes 12 anos que aqui resido (e mais uns 5 como visitante constante), construí memórias e emoções sobre cada lugar que passei. Há uma sorveteria, muito famosa por sinal, que serviu de cenário para meus primeiros encontros com minha esposa há 16 anos. Essa sorveteria, é para mim mais que uma simples sorveteria, ela pertence a um momento único da minha vida, quando eu ainda era um visitante de outra cidade, um rapazote. Ali há memoria e história.

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A memória de uma cidade não é composta exclusivamente pelos seus agentes políticos, em projetos que definem o que deve ser lembrado. A memória da cidade é a memória dos mais velhos, daqueles que viram as mudanças acontecerem. A transformação do espaço urbano é um elemento que parece inevitável a modernidade. As velhas casas de madeira dão lugar aos prédios de alvenaria. As estreitas ruas de paralelepípedo são substituídas pelo asfalto. Assim, pouco a pouco, mudamos os cenários e são criadas experiências, dando novo sentido a esses locais.

Você sabia que a catedral de Apucarana não é a primeira construção? Foram três versões desta que hoje ostenta o Brasão Municipal e a Bandeira desde 1968, sendo concluída poucos anos antes. E a praça da catedral já fora um lugar arborizado, com pequenas ruelas que cruzavam aquele imenso semicírculo. Ali, naquela praça, sentaram seus pais, avôs, bisavôs e toda uma infinidade de gentes. Eram prosas, trocas, negociatas, apostas e tudo aquilo que a praça pudesse oferecer.

O primeiro cinema da cidade, Cine Ópera, que além de ser o local de encontro dos enamorados, era também um espaço para troca de revistas em quadrinhos, figurinhas etc. Hoje o Cine Ópera não existe mais, durante muito tempo foi um aglomerado de lojas que guardavam ao menos a fachada do antigo cinema. A modernidade chegou, suas paredes ruíram, surgiu ali algo novo, que em nada lembra aquela arquitetura típica dos anos 1950. Mas o que isso significa? Devemos, enfim, tombar todos os prédios antigos e não permitir a mudança? De forma alguma, o progresso soa como inevitável. Então qual postura devemos ter ante a tudo isso?

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A parede sem o quadro de fotos e o velho calendário é apenas a parede. O patrimônio sem a memória que o compõe é apenas uma construção. Se é impossível preservar os prédios (e nem todos, por sinal), devemos preservar o que o torna vivo. Devemos registrar a memória e as emoções que aquele espaço proporciona. E isso, só é possível através das pessoas que o transformaram no que é... mais que uma construção.

O tempo urge, cada dia temos menos tempo para fazer o que devemos. Nossos velhos estão em número menor a cada dia. O saudoso Seu Chiquinho, com quem tive o prazer de dialogar mais de uma vez sobre Apucarana, escreveu inúmeros livros em prosa e verso. Hoje ele não está mais entre nós fisicamente, mas seu texto preserva sua memória. E quantos outros já foram emudecidos pelo tempo?

Nosso primeiro objetivo com a coluna digital, será o de resgatar algumas dessas memórias. De trazer à tona aquilo que quase foi esquecido. Uma cidade sem memória e sem história é uma cidade sem identidade. Identidade que não é feita na base da canetada. Identidade é a forma como a população passa a gerir suas próprias diferenças, criando uma unidade na diversidade. Somos milhares em Apucarana, mas somos milhões em passado. A cada um que hoje aqui vive, podemos resgatar quatro/oito antepassados que por aqui viveram. Toda política de patrimônio deve começar por seu povo. Não são empresas, políticos, datas comemorativas... nada disso fará sentido sem o seu povo.

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Aos que quiserem compartilhar suas memórias e fotos, podem encaminhar no link abaixo da biografia do autor aqui ao lado. Vamos juntos (re) construir a história desse povo que a cada dia tem mais motivos para comemorar.

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