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Invejo o silêncio – Quem cala (con)sente

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Invejo o silêncio – Quem cala (con)sente
Autor Foto: Iluatrativa/Freepik

Invejo o silêncio.

Não o das madrugadas ou das bibliotecas, mas aquele outro, o que existe dentro dos que já se cansaram de pensar. O silêncio dos que descansam de si.

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Tento alcançá-lo às vezes. Desligo o celular, fecho a porta, prendo a respiração. Mas é inútil.

Basta o mundo calar para que o barulho comece aqui dentro. Vozes antigas me chamam pelos erros, pelos nomes que deixei de ser. Julgam, acusam, lembram.

E o silêncio, para mim, é um tribunal.

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Há dias em que o ruído do mundo me parece uma bênção. Ele esconde o que o silêncio revela.

No fundo, temo o instante em que tudo se aquieta, porque é nele que me escuto. E o que ouço, quase sempre, não é bonito.

Às vezes invejo os que apenas são — os que caminham sem pensar, os que dormem sem se ouvir. Invejo até os mortos, que enfim repousam sob o silêncio absoluto.

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Mas logo me assusto: é esse mesmo silêncio que me espera.

Talvez seja por isso que falo tanto.

Falo para não me ouvir.

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Falo porque o silêncio me conhece demais.

Tenho falado demais em momento inoportunos apenas que para que o silêncio não me roube a paz, mas com isso tenho ficado nu diante dos que querem me ver ridículo, tendo assim os agraciado.

Aprendi a calar o que sinto, para não me expor, para que não saibam dos meus sonhos e que riam da minha desgraça quando ela chegar. E ela sempre chega, apesar de meus esforços.

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Não quero a piedade ou os abraços falsos dos que me querem menor no mundo onde os pequenos se sentem maiores, por isso calo e quanto mais calo, mais me ensurdeço com meus gritos não dados.

Tenho medo de todos, mas o pior e o mais malvado de todos entre os homens, é aquele que mora comigo, na mesma carne e ainda assim é outro em minha mente. Se sou razão, ele me derruba com a emoção. Quando trocamos de lugar, a pirraça está em discordar de mim, seja qual for o motivo. Se acho que sou forte, ele me grita que não. Se acho que mereço, ele me lembra do que fiz. Se acho que chegou a minha hora, ele atrasa o relógio.

Maldito seja esse me olha no espelho com sorriso falso. Já não o reconheço, não me reconheço. Estranho a minha voz nas gravações e áudios enviados - talvez eu não seja o único que sinta isso -, mas quem será entre vós, que pode estranhar a própria voz quando essa não é dita?

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Desligo tudo, me desprendo de tudo, desconecto, excluo e me fecho, ainda assim, há tanto barulho.

Invejo quem sabe o prazer do silêncio.

E ainda assim, sei que um dia ele virá — manso, inevitável — e enfim me calará.

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Não por castigo, mas por direito.

Espero estar com ouvidos e olhos bem abertos para esse momento.

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