Bet. Bet. Bet. Bet. Elizabeth… Beth e a Bet

Elizabeth. Trompete. Topete. Sorvete. Alfabeto. Bet. Bet. Bet.
Estranho! Quanto mais uma palavra se repete, menos ela parece uma palavra.
Vira ruído. Vira hábito. Vira paisagem.
Foi exatamente isso que fizeram.
Bet na camisa. Bet na placa. Bet na transmissão. Bet no influenciador. Bet no intervalo. Bet no celular.
Bet.
Bet.
Bet.
Você já nem percebe. Também é assim com quem aposta.
Bet. "Só mais uma."
Bet. "Agora recupero."
Bet. "Só mais uma."
Bet. "Dobro a aposta."
Bet. "Só mais uma."
Bet. "Quase."
Bet. "Só mais uma."
Até que a aposta deixe de ser dinheiro. Passe a ser o aluguel.
O mercado.
O carro.
O casamento.
A paz.
A dignidade.
Não foi por acaso que as bets invadiram o futebol. Não compraram apenas espaços publicitários. Compraram o cenário. Compraram a paisagem. Em muitos casos, compraram até o próprio espetáculo. Hoje, grandes transmissões esportivas só existem porque foram financiadas por elas.
E ninguém estranha.
Esse talvez seja o maior prêmio que elas já conquistaram.
Não o dinheiro.
O silêncio.
Porque vícios não começam quando alguém joga.
Começam quando a repetição convence uma sociedade inteira de que aquilo sempre esteve ali.
Bet.
Bet.
Bet.
Se, ao terminar este texto, essa palavra ficou ecoando na sua cabeça, parabéns.
Agora você sabe como funciona.
A diferença é que você levou dois minutos para percebê-la.
Há quem leve uma vida inteira.
O problema nunca foi existirem apostas. O problema foi o dia em que passamos a aplaudir quem lucra com o desespero alheio só porque a transmissão ficou de graça. Quando a consciência é o preço do entretenimento, talvez a maior aposta perdida não tenha sido a do jogador. Tenha sido a nossa.
E se você discorda, quer apostar?
