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Pensão alimentícia após os 18 anos: o que acontece quando o filho não pode trabalhar?

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Pensão alimentícia após os 18 anos: o que acontece quando o filho não pode trabalhar?
Autor Foto: (foto reproduçao por freepik)

É bastante comum a ideia de que a obrigação de pagar pensão alimentícia aos filhos termina automaticamente quando eles completam 18 anos. Juridicamente, porém, essa afirmação não é correta. A maioridade civil altera os fundamentos da obrigação alimentar, mas não provoca, por si só, sua extinção.

A questão se torna ainda mais relevante quando o filho maior de idade apresenta doença ou enfermidade que comprometa sua capacidade de trabalhar e de prover o próprio sustento.

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Recentemente, a 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) analisou situação dessa natureza e manteve a pensão alimentícia destinada a uma filha maior de idade acometida por graves transtornos psiquiátricos. No caso, além de manter a obrigação, o Tribunal confirmou a majoração dos alimentos de um para dois salários-mínimos.

A jovem havia sido diagnosticada com transtorno depressivo recorrente grave, transtorno de pânico e transtorno de ansiedade, além de apresentar ideação suicida. A documentação médica demonstrava a necessidade de afastamento das atividades laborais e de tratamento especializado.

O ponto central da decisão merece atenção: para a manutenção da pensão alimentícia ao filho maior, não é indispensável que exista incapacidade permanente e definitiva para o trabalho. O que deve ser analisado é se, naquele momento, a condição de saúde efetivamente impede que o filho obtenha recursos suficientes para sua própria subsistência.

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Isso porque, com a maioridade, a necessidade dos alimentos deixa de ser presumida. Cabe ao filho maior demonstrar concretamente que ainda necessita do auxílio, enquanto também deverá ser considerada a capacidade financeira daquele que presta os alimentos. Aplica-se, portanto, a conhecida análise do binômio necessidade-possibilidade, sempre à luz das particularidades do caso concreto.

Nesse contexto, a prova assume especial importância. Laudos e atestados médicos, prescrições, registros de internação, tratamentos realizados e outros documentos capazes de demonstrar não apenas a existência da doença, mas principalmente seus reflexos sobre a capacidade laboral e a autonomia financeira, podem ser decisivos.

Outro aspecto relevante é que o fato de o filho ter trabalhado anteriormente não significa, necessariamente, que esteja atualmente apto a se sustentar. Uma doença pode surgir ou se agravar posteriormente, modificando completamente sua condição pessoal e financeira.

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A obrigação alimentar, portanto, não está condicionada à existência de uma incapacidade irreversível. Quadros de saúde temporários ou passíveis de tratamento também podem justificar a continuidade da pensão, desde que sejam suficientemente graves para impedir, no presente, que o filho exerça atividade remunerada e garanta a própria subsistência.

O Direito de Família, nesses casos, exige uma análise que não seja meramente cronológica. Completar 18 anos não significa alcançar, automaticamente, independência econômica, especialmente quando existem limitações sérias decorrentes de problemas de saúde.

Também é importante lembrar que a exoneração da pensão alimentícia de filho maior não ocorre automaticamente. Havendo pensão fixada judicialmente, aquele que pretende deixar de pagá-la deve buscar a via judicial adequada, permitindo que sejam examinadas as circunstâncias atuais e assegurado o contraditório.

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Cada situação, portanto, precisa ser avaliada individualmente. Tanto a manutenção quanto a revisão ou exoneração dos alimentos dependerão das provas acerca da necessidade de quem os recebe e da possibilidade financeira de quem os presta.

Se você ou sua família enfrentam situação semelhante, seja para requerer a manutenção dos alimentos, revisar o valor da pensão ou avaliar a possibilidade de exoneração, procure orientação jurídica especializada. Uma análise jurídica individualizada é essencial para compreender os direitos, as obrigações e as medidas adequadas para cada caso.

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