Silêncio de Deus

Carros, máquinas, telões e gritos são exemplos atuais de uma dinâmica barulhenta. Não são raras as vezes que corremos para um ambiente silencioso em busca de sossego e paz.
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Além desses barulhos, se somam os barulhos da nossa alma, sons que somente nós escutamos. Barulhos da angústia, das incertezas, dos medos que assolam e gritam para dentro de nós. Esses são os mais difíceis de silenciar.
Paradoxalmente, quando buscamos solução ou acolhimento nessa busca por paz e sossego, queremos uma voz, um som. Isso na esfera humana é buscado por todos, mas o grande desafio é quando na nossa espiritualidade não ouvimos sequer um sussurro de Deus.
O silencio passa não ser solução para nós; o silêncio começa a machucar, nos angustiar e sufocar. O silencio de Deus não é apático ou inerte, ele pode ser instrutivo.
Deus é revelado na Escritura como um Deus soberano sobre todas as coisas, e temos a impressão errada que seu silêncio contraria essa verdade, no entanto, por Ele ser soberano, ele pode se calar, silenciar.
Primeiro: Seu aparente silencio é reflexo da sua soberania sobre todas as coisas. Ele não é forçado ou constrangido por circunstâncias. Ele é livre no sentido absoluto! Embora, bondosamente acolha as nossas lágrimas e aja em favor da sua criação.
Segundo: Nos alerta quanto ao tipo de fé que possuímos. A fé reclama por sinais, no entanto, na jornada da experiencia de cada um, é necessário continuar crendo, mesmo sem resposta aparente. Uma fé que nunca teve uma resposta visível é tão problemática quanto a fé que sempre espera o extraordinário como resposta.
Terceiro: Só ficamos perto de alguém em silencio, quando realmente conhecemos, pois, sabemos os gostos, os desejos, em outras palavras não precisamos ser “agradáveis” ou forçar uma simpatia. Na esfera espiritual o silêncio pode ser justamente isso: um aprofundamento na relação com Deus, pode ensejar oportunidade de amadurecimento e crescimento e não abandono da parte Dele.
Nessas estradas de desafios e dilemas, as vezes o silencio de Deus é um chamado a também nos silenciarmos, como o bem disse o rei Davi: “Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa; dele vem a minha salvação”. (Salmo 62:1). Talvez o silêncio dele está nos convidando a silenciar e desfrutar da sua presença, mesmo que no silencio.
Um abraço!
