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O duplipensamento bolsonarista

No duplipensamento você é capaz de acreditar em duas ideias extremamente conflitantes

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O duplipensamento bolsonarista
Autor Foto: Ivan Sampaio/Estadão Conteúdo

Terminei de ler tardiamente o excelente livro “1984” de George Orwell. Basicamente nesta grande obra o autor fez duras críticas aos regimes totalitários, tanto de esquerda quanto de direita. Em termos bastante resumidos, a história se resume à proposição que o duplipensamento é uma forma interessantemente eficiente de se controlar a população.

No duplipensamento você é capaz de acreditar em duas ideias extremamente conflitantes entre si. Por exemplo, é como se você acreditasse que o Palmeiras ganhou e também não ganhou o mundial de clubes de 1951 (eu, particularmente, não acredito).

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Mas por que teorizar acerca de George Orwell logo hoje? Simplesmente porque o duplipensamento está se sobressaindo nas respostas da grande maioria dos membros e ex-membros do governo, na famigerada Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a atuação do Governo Federal na Pandemia do novo Coronavírus.

Um exemplo clássico é o depoimento do ex-ministro da saúde, Eduardo Pazuello. Em uma das perguntas, o ex-ministro afirmou que em nenhum momento Bolsonaro o desautorizou ou o orientou a fazer algo diferente do que estava fazendo.

Até aí tudo bem... sem problemas. No entanto, o que Pazuello não parece se dar conta é que hoje vivemos na era da tecnologia e das informações. Quem não se lembra do vídeo do ex-ministro (outubro de 2020), na qual ele afirmava que a sua relação com o presidente era simples, pois um mandava e o outro obedecia? Isso sem contar as outras respostas antagônicas proferidas no dia de ontem pelo nobre general.

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O próprio Bolsonaro pratica corriqueiramente o duplipensamento ao acreditar e não acreditar (tudo ao mesmo tempo) na eficácia das vacinas no combate à doença. Enquanto a CPI não termina será comum ouvir que membros influentes do governo pressionaram (ao mesmo tempo que não pressionavam) para a mudança na bula da Cloroquina, visando a inclusão do Covid como uma das doenças curadas pelo medicamento.

Nesta toada só nos resta acreditar que a CPI consiga as respostas de que precisamos para a punição dos responsáveis pela negligencia no combate da doença em nosso país. As famílias das 442 mil pessoas que vieram a falecer por esta doença terrível agradecem... e muito!

Um ótimo final de semana!

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